Tudo o que Nunca te Contaram sobre o Consórcio antes de você Assinar
Você já teve aquela sensação de que todo mundo descobriu um "pulo do gato" financeiro e esqueceu de te avisar?
Você abre as redes sociais e lá está: alguém falando que comprou um imóvel sem pagar juros de banco, enquanto você está aí, preso em um financiamento que parece um casamento sem amor — caro e interminável.
Mas aí você para e pensa: "Espera aí... se o banco cobra 11% ao ano e a Administradora cobra 'zero' de juros, quem é que está perdendo nessa história?".
A Ilusão do Juro Zero e a Psicologia do Capital
O dinheiro tem três dimensões: volume, tempo e custo. O brasileiro médio foi ensinado a olhar apenas para o volume (o valor da parcela).
O investidor olha para o custo. O banco olha para o tempo. No meio desse triângulo das Bermudas financeiro, surge a Administradora de Consórcio.
Este não é um texto sobre "guardar dinheiro". É um tratado sobre como utilizar a estrutura de grupos de interesse econômico para comprar o seu tempo de volta.
Se o financiamento é o aluguel do dinheiro alheio, o consórcio é o financiamento da sua própria paciência.
Mas quanto vale a sua paciência no mercado atual?
Se você quer entender se o consórcio é o paraíso dos investidores ou uma "pirâmide gourmet", este guia é o seu manual de sobrevivência.
Vamos abrir a caixa-preta, sem filtros, sem nomes corporativos, apenas a matemática nua e crua e a realidade dos bastidores.
A Anatomia do Custo: Por que o Banco quer que você ignore o consórcio?
Imagine a cena: você decide que quer aumentar seu patrimônio. Você olha para o financiamento imobiliário tradicional e os números assustam.
Com uma taxa de juros de 11% ao ano, se você pegarR$ 200.000,00emprestados por240 meses(20 anos) no sistema SAC (aquele onde as parcelas diminuem), o susto vem no final.
No financiamento, você pagaria:
Primeira Parcela: Aproximadamente R$ 2.580,13.
Custo Total de Juros: Cerca de R$ 210.489,40.
Total Pago: Um montante de R$ 410.489,40.
Ou seja: você compra uma casa para você e "dá" outra de presente para o banco.
É aqui que entra a Administradora com uma proposta sedutora: o consórcio.
No consórcio, para os mesmos R$ 200.000,00, a conta é outra.
Não há juros, mas sim taxas (Administração + Fundo de Reserva + Seguros).
No total, as taxas giram em torno de 26% pelo período todo.
Parcela Mensal Média:R$ 1.050,00 (fixa, sem o susto da parcela de 2 mil do banco).
Custo Total de Taxas:R$ 52.000,00.
Total Pago:R$ 252.000,00.
Uma economia de R$ 158.489,40. É aqui que o olho brilha e o coração bate forte.
Mas, como diz o ditado: "Quando a esmola é demais, o santo desconfia".
Vamos entender o preço dessa economia.
A "Malandragem" Legal: O Mistério do Lance Embutido
Aqui é onde muitos clientes começam a reclamar nas redes sociais, alegando "sacanagem".
Vamos dissecar a manobra que faz você se sentir um gênio e um injustiçado ao mesmo tempo.
A Pergunta de 1 Milhão de Reais:"Por que eu faço um plano de 500 mil, dou um lance de 150 mil (que eu não tenho no bolso) e só recebo 350 mil, se vou continuar pagando a parcela sobre os 500 mil?"
Parece loucura, né? Mas veja a lógica da Administradora: O lance embutido não é um presente.
É uma forma de pagamento antecipado.
Quando você oferta esses R$ 150 mil, você está dizendo: "Eu quero usar uma parte do crédito que vocês me dariam no futuro para pagar um pedaço da minha dívida agora e, assim, ganhar o sorteio".
O Valor Bruto (R$ 500 mil): É o seu contrato original.
O Lance (R$ 150 mil): Como você não tem o dinheiro, você retira do próprio plano.
O Valor Líquido (R$ 350 mil): É o que sobra para você comprar o bem.
Onde mora a frustração? A Administradora cobra a Taxa de Administração sobre os R$ 500 mil originais.
Ela entende que gerir o seu contrato deu o mesmo trabalho, independentemente de você ter usado o embutido ou não.
No final, você sente que está pagando taxa sobre um dinheiro que nunca "viu a cor".
Não é malandragem, é a regra do jogo.
Todas as administradoras operam assim. O problema é que o vendedor, na pressa de bater a meta, às vezes "esquece" de avisar que seu poder de compra vai encolher.
Se você precisa de 500k na mão, você deveria contratar uma cota de 720k.
Aqui entramos na manobra que gera discussões acaloradas.
O Lance Embutido permite que você use até 30% do seu próprio crédito para contemplar.
A Realidade Técnica: Se você contrata R$ 500 mil e usa
150 mil de embutido, você recebe R$ 350 mil líquidos.
O Ponto de Conflito: A taxa de administração incide sobre os R$ 500 mil.
A Sacada de Mestre: Por que alguém aceitaria isso? Simples. Ao ser contemplado rápido, você troca o "pagar aluguel" por "receber aluguel". Se você compra um imóvel de 350 mil e o coloca para locação, o inquilino passa a pagar a sua cota deR$ 500 mil.
Nesta estratégia, o valor que você "perdeu" na taxa de administração sobre o embutido é irrisório perto do Retorno sobre o Capital (ROE) de ter um imóvel quitado em seu nome sem ter desembolsado o valor total do bem.
A Manobra do Lance com Dinheiro Próprio
Se você der um lance de R$ 100.000,00 do seu bolso (dinheiro que estava na poupança):
A administradora pega seu dinheiro e abate o seu saldo devedor.
A "perda": Esse dinheiro deixa de render para você (em um CDB ou Tesouro Direto) e passa a ficar no caixa da administradora.
O sentimento do cliente: "Eu dei 100 mil para a empresa me emprestar os meus próprios 100 mil sem juros, mas pagando taxa de administração".
A Redução da Parcela vs. Redução do Prazo
Muitos vendedores prometem que, ao dar o lance, a parcela vai cair drasticamente.
A Frustração: Se o grupo estiver com o fundo de reserva baixo ou se houver reajuste anual pelo INCC (FGV), o cliente dá um lance alto e, meses depois, a parcela volta ao valor original devido ao reajuste da inflação. O cliente sente que o lance "não serviu para nada".
4. O Valor Repassado é Menor (O Poder de Compra)
O consórcio é vendido como um valor fixo, mas o preço dos imóveis e carros sobe.
Se você demora 5 anos para ser contemplado, os R$ 200 mil que compravam um ótimo imóvel hoje, podem não comprar mais o mesmo padrão no futuro.
Mesmo com o reajuste da carta, o mercado imobiliário costuma subir mais rápido em certas regiões, dando a sensação de que o crédito "encolheu".
Conclusão dos Clientes: Quem reclama geralmente sente que o consórcio funciona como uma "poupança forçada onde você paga para guardar seu próprio dinheiro".
É vantajoso apenas para quem não tem pressa e não consegue poupar sozinho, ou para o investidor que entende que a taxa de administração (ex: 1,2% ao ano) ainda é menor que os juros do banco (11% ao ano).
Por que as Administradoras defendem isso?
Para quem é investidor, a lógica é diferente:
O investidor não quer o dinheiro; ele quer o ativo.
Ele usa o lance embutido para ser contemplado rápido, compra um imóvel de R$ 350 mil e coloca para alugar.
O aluguel paga a parcela da cota de R$ 500 mil. No final de 15 anos, ele tem um imóvel quitado que não saiu do bolso dele, apenas do fluxo de caixa do aluguel.
Resumo da "Real":
Para quem tem pressa e pouco dinheiro: O lance embutido é frustrante porque o crédito final é "curto" e a taxa é calculada sobre o valor cheio.
Para quem quer o bem: Você sente que está pagando para usar seu próprio dinheiro.
Para a Administradora: É excelente, pois ela reduz o risco (empresta menos dinheiro) e mantém a taxa de administração sobre o valor máximo.
O Arsenal da Contemplação – Além do Lance Embutido
Se o lance embutido é a "ferramenta de aceleração", as outras modalidades de contemplação são as engrenagens que permitem ao investidor calibrar sua estratégia conforme o fôlego do seu caixa.
No universo das Administradoras, existem quatro caminhos principais para acessar o crédito:
1. O Sorteio: A Democracia Pura
É a porta de entrada. Baseado geralmente na Extração da Loteria Federal, o sorteio garante que o investidor que paga apenas a parcela mínima tenha a mesma chance estatística do grande empresário.
A Estratégia: Aqui não há técnica, há custo de oportunidade. É a modalidade ideal para quem está fazendo "estoque de valor", ou seja, guardando dinheiro sem pressa, pagando a menor taxa de administração do mercado enquanto aguarda a sorte.
2. O Lance Livre: O Leilão de Oportunidades
Aqui o jogo fica sério. No lance livre, vence quem ofertar o maior número de parcelas antecipadas (ou o maior percentual do saldo devedor).
O Diferencial: É a modalidade preferida de quem possui capital parado (como um bônus de empresa, venda de um veículo ou FGTS).
A Inteligência do Negócio: Ao contrário do que muitos pensam, o valor do lance não "some". Ele abate o seu saldo devedor de trás para frente, reduzindo o tempo de contrato ou o valor das parcelas mensais, dependendo da regra do grupo.
3. O Lance Fixo: A "Segunda Chance" dos Estratégistas
Muitas Administradoras oferecem o Lance Fixo (geralmente estipulado em 25% ou 50% do valor da cota).
Como funciona: Todos os interessados ofertam exatamente o mesmo percentual. Como há empate, a Administradora realiza um sorteio apenas entre os que ofertaram o lance.
A Vantagem: Suas chances aumentam drasticamente. Em um grupo de 500 pessoas, talvez apenas 10 ofertem o lance fixo naquele mês. Suas chances saltam de 1 em 500 para 1 em 10. É a forma mais inteligente de buscar a contemplação sem precisar "queimar" todo o seu caixa no lance livre.
4. O Lance de Fidelidade (ou Lance Facilitado)
Algumas Administradoras modernas criaram subcategorias para premiar o bom pagador.
São modalidades onde quem mantém as parcelas em dia por um longo período ganha o direito de ofertar lances com condições diferenciadas ou participa de sorteios exclusivos.
É o uso do Score Interno a favor do consumidor.
O Casamento das Modalidades: A Estratégia Híbrida
O investidor de elite não escolhe apenas uma. Ele utiliza o Lance Híbrido: ele combina uma parte de recursos próprios (dinheiro vivo) com uma parte de lance embutido (do próprio crédito).
Exemplo Prático: Você quer uma carta de R$ 500 mil. Você tem R$ 100 mil guardados (20%) e usa mais R$ 50 mil do embutido (10%).
Seu lance total de 30% se torna muito mais competitivo, mas você preserva parte do seu crédito líquido para a reforma ou documentação do imóvel.
O Mercado Secundário: O Lucro das Cotas Contempladas
Poucos sabem, mas existe um mercado vibrante de Cotas Contempladas.
Investidores profissionais compram dezenas de cotas em diferentes Administradoras, ofertam lances agressivos e, assim que são contemplados, vendem a cota.
Como funciona: O investidor vende o "direito" ao crédito imediato por um valor (ágio).
A Vantagem: Quem compra paga um valor extra para ter o dinheiro na hora com taxa de consórcio (muito menor que a do banco). Quem vende realiza um lucro rápido sobre o capital investido no lance. É a forma mais sofisticada de negociar "dinheiro barato".
A Blindagem do Banco Central e o Mito da Pirâmide
Diferente de esquemas de pirâmide, onde o último a entrar perde tudo, as Administradoras operam sob o regime de Segregação Patrimonial monitorado pelo Banco Central do Brasil.
Existe uma diferença jurídica e financeira abissal aqui. O consórcio é um sistema de autofinanciamento regulado pelo Banco Central do Brasil.
Diferente de uma pirâmide, onde o dinheiro "some" em promessas vazias, no consórcio:
Há Segregação Patrimonial: O dinheiro do grupo não é da Administradora. Se ela quebrar, o dinheiro dos cotistas está protegido em uma conta separada.
Há Lastro Real: O dinheiro só sai para comprar um bem (imóvel ou veículo) que fica alienado (travado) como garantia.
O Lucro da Administradora: Ela não ganha dinheiro "recrutando", ela ganha prestando um serviço de gestão. Ela lucra com a taxa de administração e com o chamado Float (o rendimento do dinheiro parado entre o pagamento das parcelas e a assembleia).
O INCC como Aliado (e não vilão)
Muitos reclamam que a parcela do consórcio sobe todo ano. Mas esquece-se que o crédito também sobe.
Se o seu crédito de R$ 500 mil foi reajustado pelo INCC. E você já foi contemplado e comprou o imóvel, sua dívida subiu, mas o valor de mercado do seu imóvel geralmente acompanha ou supera essa correção.
Você está protegido contra a inflação por um ativo real.
O Labirinto do Contemplado: A Auditoria Final
O momento da contemplação é onde a ficção encontra a realidade. A Administradora assume um papel de gestora de risco.
Garantias: O imóvel será avaliado por engenheiros. Se houver rachaduras ou problemas estruturais, o crédito não sai.
Análise Jurídica: Se o vendedor do imóvel tiver processos judiciais, a Administradora trava a operação para proteger você e o grupo.
Saúde Financeira: Você precisará provar que pode pagar as parcelas restantes. Estar com o nome limpo é o requisito básico.
Demora no Pagamento: O vendedor do imóvel quer receber hoje, mas a Administradora pode levar 30, 60 dias para analisar a papelada.
Conclusão: Vale a Pena?
O consórcio não é vilão, nem herói. É uma ferramenta.
Se você tem urgência de morar: Vá de Financiamento.
Se você tem paciência e quer custo baixo: Vá de Consórcio.
Mas lembre-se: nunca acredite em promessa de "contemplação garantida" e sempre calcule o valor líquido que sobrará após o lance.
O conhecimento é a única coisa que impede o seu sonho de virar um pesadelo financeiro.
O consórcio via Administradoras não é um produto para "quem não tem dinheiro".
É, ironicamente, um produto de elite para quem sabe gerir o fluxo de caixa.
Vá de Financiamento: Se você não tem moradia e o aluguel está consumindo sua renda de forma insustentável. A urgência tem um preço, e o nome dele é Juros.
Vá de Administradora: Se você busca construir patrimônio, quer fugir da agiotagem bancária legalizada e entende que o tempo, aliado a uma boa estratégia de lance, é o maior multiplicador de capital que existe.
A única malandragem no consórcio é entrar sem um plano.
Com estratégia, você não está apenas comprando uma casa; está montando uma máquina de gerar riqueza.
Se você busca moradia imediata, pague o pedágio do banco e vá para o Financiamento.
Se você busca liberdade financeira e construção de ativos, aprenda a jogar as regras das Administradoras.
Perguntas Frequentes e reclamações de usuarios!
Onde o financiamento imobiliário é mais vantagem que o consórcio ?
O financiamento imobiliário leva vantagem sobre o consórcio em cenários onde o fator tempo e a segurança da aquisição são mais importantes do que o custo financeiro final.
As principais situações em que o financiamento é mais vantajoso são:
1. Necessidade de Moradia Imediata
Se você precisa sair do aluguel hoje ou precisa se mudar para um novo imóvel rapidamente, o financiamento é a única opção.
No consórcio, sem um lance muito alto, você pode esperar meses ou anos para ser sorteado. Caixa Econômica Federal.
2. Uso Integral do FGTS na Entrada
No financiamento, você pode usar o FGTS para compor o valor da entrada logo na assinatura do contrato, reduzindo o valor que precisa financiar.
No consórcio, você só consegue usar o FGTS para dar um lance ou amortizar parcelas após ser contemplado. Portal FGTS.
3. Falta de Capital para Lance
Para quem não tem economias guardadas, o consórcio pode ser uma "armadilha" de longo prazo, pois a chance de sorteio é estatisticamente pequena.
No financiamento, pagando a entrada mínima (geralmente 20%), a entrega do imóvel é garantida e imediata.
4. Cenário de Inflação Alta (INCC)
As parcelas do consórcio são reajustadas anualmente pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) ou outro índice setorial para manter o poder de compra da carta de crédito.
Se a inflação da construção disparar, sua parcela do consórcio sobe proporcionalmente, enquanto no financiamento pela Caixa (modelo TR), o saldo devedor costuma ser mais previsível. Índice INCC - FGV.
5. Dedução de Imposto de Renda
Os juros pagos no financiamento imobiliário podem, em algumas modalidades e dependendo da legislação vigente, compor o custo de aquisição do imóvel, o que ajuda a reduzir o lucro imobiliário em uma venda futura.
6. Poder de Negociação com o Vendedor
Com o financiamento aprovado, o banco paga o vendedor à vista.
No consórcio, a burocracia para liberação do crédito após a contemplação pode fazer com que você perca oportunidades de "negócios de ocasião" onde o vendedor tem pressa extrema para receber.
Resumo Comparativo:
Consórcio: É para quem tem paciência e busca baixo custo (investidores ou quem planeja o futuro).
Financiamento: É para quem tem urgência e precisa de moradia agora, aceitando pagar mais caro por esse "aluguel do dinheiro".
Então não tem nada de malandragem ou sacanagem , todas as administradoras de consórcio operam assim?
Exatamente. Não é "sacanagem" ou exclusividade da
Ademicon, é a regra do jogo de todo o sistema de consórcios no Brasil, regulado pelo Banco Central.
Todas as administradoras (Porto Seguro, Bradesco, BB, Itaú, etc.) operam sob a mesma lógica. O que acontece é uma falha de comunicação (ou omissão estratégica) dos vendedores na hora de fechar o negócio.
Aqui está o porquê de ser uma operação padrão e "limpa" perante a lei:
1. O Grupo é um "Bolo" de Dinheiro
O consórcio é um grupo de pessoas guardando dinheiro juntas. Se você entra em um grupo de R$
$500 mil lá dentro ao longo dos anos. Se você usa o lance embutido de R$ 150 mil, o grupo entende que você já "pagou" essa parte. O dinheiro não "some", ele apenas volta para o caixa do grupo para permitir que outra pessoa também seja contemplada.
2. A Taxa de Administração é pelo Serviço
A administradora cobra para organizar as assembleias, cobrar os inadimplentes e garantir que todos recebam. Ela cobra sobre o valor do contrato assinado. Se você assinou R$ 500 mil, o trabalho dela é gerir essa cota, independentemente de você usar o embutido ou não.
3. Onde está o "perigo" (e por que reclamam)?
A reclamação surge quando o vendedor não deixa claro que:
O seu poder de compra vai cair (de 500k para 350k).
O custo da taxa de administração não diminui (continua sobre os 500k).
Você ainda passará por análise de crédito (CPF limpo e comprovação de renda) após ser contemplado. Muita gente dá o lance, ganha, e descobre que o banco/administradora não libera o dinheiro porque a renda é insuficiente.
4. Por que as pessoas usam se parece "ruim"?
Porque, mesmo recebendo menos (350k) e pagando taxa sobre mais (500k), o Custo Efetivo Total (CET) do consórcio costuma ser de 1,2% a 2% ao ano.
No financiamento da Caixa, como você viu, os juros são de 11% ao ano. Pelo menos é o que mostra a Teoria.
No consórcio: Você paga uma taxa sobre o que não recebeu.
No financiamento: Você paga juros sobre juros (compostos) sobre o que recebeu.
Conclusão: É uma operação matemática justa, mas psicologicamente ruim para quem não foi bem assessorado.
Não é "sacanagem" ou exclusividade de algumas administradoras, é a regra do jogo de todo o sistema de consórcios no Brasil, regulado pelo Banco Central.
Então, qual a vantagem da administradora vender esse tipo de produto?
Entendo perfeitamente o seu raciocínio. À primeira vista, qualquer sistema que dependa da entrada de novos membros para pagar os anteriores levanta a suspeita de pirâmide.
No entanto, o consórcio é um modelo de autofinanciamento legalizado e extremamente lucrativo para as administradoras.
Aqui está o que separa qualquer administradora de uma pirâmide e onde elas realmente ganham dinheiro:
1. O Lucro não é "apenas" a Taxa de Administração
Embora a taxa pareça pequena (ex: 0,1% ao mês), ela é aplicada sobre o valor total do contrato, não sobre o que você já pagou.
Volume: Administradoras como a Ademicon gerem bilhões. Uma taxa de 15% a 24% sobre bilhões de reais garante um lucro líquido gigantesco com baixo risco operacional, já que o dinheiro "emprestado" não é da empresa, é dos outros cotistas.
Multas e Juros: Se um cliente atrasa a parcela, a multa vai para o grupo, mas existem taxas de cobrança que ficam para a administradora.
2. Por que não é Pirâmide?
A pirâmide financeira desmorona quando param de entrar pessoas, porque não há um produto real ou fundo de reserva. O consórcio é diferente por lei:
Segregação Patrimonial: O dinheiro do seu grupo não pertence à Ademicon. Ele fica em uma conta separada. Se a empresa do Roberto Justus falir, o grupo de consórcio continua existindo e pode ser assumido por outro banco. Regulação do Banco Central.
Lastro Real: O dinheiro só sai para comprar um bem real (casa, carro) que fica alienado (em nome da administradora) como garantia. Se o contemplado parar de pagar, a empresa toma o bem e leiloa para devolver o dinheiro ao grupo.
3. A "Malandragem" Financeira (Onde elas ganham mais)
As administradoras lucram muito com o Float Bancário (dinheiro parado):
Imagine centenas de pessoas pagando parcelas hoje, mas o sorteio só acontece daqui a 30 dias. Esse dinheiro fica rendendo juros financeiros no mercado para a administradora nesse intervalo.
Taxa de Adesão: Muitas cobram uma taxa só para você entrar no grupo, o que já garante lucro antes mesmo de você pagar a primeira parcela.
4. A Vantagem para a Administradora
Para as administradoras, o consórcio é o "melhor dos mundos":
Eles não emprestam dinheiro próprio (quem empresta é você para o outro participante).
Eles não correm risco de crédito (o imóvel fica de garantia).
Eles recebem uma taxa garantida para apenas gerenciar o software e o contrato.
Resumo: Não é pirâmide porque há um contrato de prestação de serviços, fiscalização do Banco Central e o dinheiro é usado para adquirir bens físicos.
É, na verdade, um clube de poupança pago, onde a administradora é o "juiz" que ganha uma comissão de todos os jogadores.
Caso eu não dê nenhum lance e não seja contemplado por sorteio, terei que pagar o consórcio até o final do plano?
Exatamente. No pior cenário matemático, se você não tiver sorte no sorteio e não tiver capital para um lance, você será o último a ser contemplado no encerramento do grupo.
Aqui está o que acontece na real nesse caso:
1. Contemplação por Encerramento
Todo consorciado tem o direito de receber o crédito. Se você pagar as 240 parcelas e nunca for sorteado ou der lance, ao final do prazo (ou quando todos os outros já tiverem sido contemplados), a administradora libera o seu crédito.
2. O Crédito vira Dinheiro
De acordo com as regras do Banco Central, se você quitar todas as parcelas e não utilizar o crédito para comprar um imóvel, após a contemplação (ou 180 dias após o encerramento do grupo), você pode solicitar o recebimento do valor em espécie (dinheiro), acrescido dos rendimentos financeiros do período em que o valor ficou parado no fundo comum.
3. A "Poupança Forçada" mais cara do mundo
Nessa situação de ser o último, o consórcio deixa de ser um investimento e vira um custo:
Você guardou dinheiro por 20 anos.
Você pagou cerca de 10% a 26% de taxas para a empresa guardar seu próprio dinheiro.
Conclusão: Você terá o valor corrigido pelo INCC, mas terá "perdido" o valor das taxas. Se tivesse colocado esse dinheiro em uma LCI ou Tesouro Direto, você teria o valor total e mais os juros a seu favor.
4. Por que alguém aceita isso?
Quem entra no consórcio geralmente o faz por dois motivos:
Esperança de contemplação antecipada: Aposta no sorteio ou no lance para usar o dinheiro do grupo para comprar um bem hoje e pagar sem os juros do banco.
Disciplina: Pessoas que não conseguem economizar sozinhas e preferem pagar uma taxa para serem "obrigadas" a construir um patrimônio.
O Ponto de Atenção:
Em grupos longos (como 240 meses), as Administradoras costumam ter um volume de contemplações mensais que faz com que a maioria dos clientes seja contemplada bem antes do final.
Mas, matematicamente, alguém sempre será o último.
Você teria disciplina para guardar esse mesmo valor mensal em uma aplicação financeira por conta própria, ou o consórcio seria a única forma de você "se obrigar" a investir?
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